Nem tudo é possível para Deus

Imagem de Alfons Schüler por Pixabay com alterações (O Elevador).


Calma. O título serve, tão somente, para chamar atenção. Além disso, se você me permitir explicar, não disse qualquer blasfêmia.

Antes de iniciar a explicação, vou tecer uma crítica como introdução. Pois bem, devo dizer que estou descontente com a difusão do conhecimento. Não estou satisfeito em como muitas coisas são ensinadas às pessoas. Às vezes alguém te ensina algo errado porque aprendeu errado também. Mas pode acontecer de alguém ensinar um fato errado apenas para satisfazer seu ego ideológico.

Vou dar um primeiro exemplo. Diferentemente do que te disseram, antigamente as pessoas não pensavam que a Terra era plana. Um segundo exemplo: a verdade não é relativa — como provavelmente você já deve ter ouvido falar. Um último exemplo: a Teoria do Big Bang está longe de ser uma teoria que deixa Deus de lado.

Então, devo dizer que muitas coisas que você sabe são mentiras. Pasmem, várias dessas mentidas foram criadas — ou perpetuadas — por cientistas. Mas meu foco não é nisso. Esse assunto, mais especificamente, será tratado em outro post. O que quero que entendam é que, até mesmo na Teologia, há abundância de conhecimentos errados ou passados de uma forma errada.

Chegamos então onde eu queria.

Um ensinamento que não é errado — mas passado de forma errada — é a onipotência de Deus. E disse o anjo Gabriel: Porque para Deus nada é impossível. Aqui está o ponto chave. Esse nada é um nada lógico. De uma forma melhor elaborada por São Tomás de Aquino, o nada se refere a todas as coisas possíveis de serem feitas.

Vamos visitar o paradoxo da onipotência:

  1. Se Deus consegue criar uma pedra que nem Ele levante, Ele não é onipotente, pois existe algo que ele não levanta;
  2. Se Deus não consegue criar a pedra, Ele não é onipotente, pois existe algo que Ele não consegue criar;
  3. Logo, Deus — e qualquer outro ser — não é onipotente.

Ora, quando observamos melhor o paradoxo da onipotência é possível perceber — não de primeira vez, é claro — que pelo menos um conceito não é levado em consideração. O conceito negligenciado é o de ser intrínseco. Um exemplo bem simples: uma bola é intrinsecamente redonda. Um cubo é intrinsecamente quadrado. Não existe um quadrado redondo, pois um objeto é intrinsecamente um ou outro.

Revisitando o paradoxo da onipotência, podemos reescrever as premissas da seguinte forma:

  1. Se Deus é onipotente, seu poder é infinito;
  2. Uma pedra é, intrinsecamente, um objeto finito;
  3. Portanto Deus não pode criar uma pedra que nem ele possa levantar porque não existe uma pedra infinita.

Então conseguimos resolver o paradoxo de forma lógica. E descobrimos [a maioria de nós] que existem coisas que são impossíveis para Deus — mais uma vez: coisas intrinsecamente, ou logicamente, impossíveis. E para finalizar deixo mais dois exemplos de coisas impossíveis para Ele fazer: (1) criar alguém mais poderoso que Ele e (2) mentir (Hb 6.18).

About Evandro J.R. Silva

É Doutorando em Ciência da Computação. Convertido desde os 6 anos de idade, a partir dos 15 anos começou a ler e estudar a Bíblia autodidaticamente. É membro de uma Igreja Batista. Gosta bastante de jogos eletrônicos e de ler, principalmente sobre apologética e literatura fantástica. Tem como gosto musical preferido o metal sinfônico.

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