A inconstância da Fé

Imagem de Andrea Linja por Pixabay

Ele [Jesus] respondeu: “Por que a fé que vocês têm é pequena. Eu lhes asseguro que se vocês tiverem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderão dizer a este monte: ‘Vá daqui para lá’, e ele irá. Nada lhes será impossível.

(Mateus 17.20 NVI)

Algumas vezes durante minha vida cristã tive a impressão de estar cheio de fé, inabalável em Cristo, quase como um profeta do AT. Imaginava que podia sair errado o que fosse, em Jesus eu aguentaria qualquer abalo. Na verdade, imaginava que nenhum abalo viria, porque pela fé que estava tendo eu superaria qualquer desafio.

Quando me deparava com a escritura citada tinha duas reações: ou acreditava que estava com fé ao menos do tamanho de um grão de mostarda, ou não entendia como que tanta fé ainda podia ser tida como minúscula.

Em Hebreus 11.1 está escrito (NVI): “Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”. Em Romanos 10.17 (NVI), o apóstolo Paulo diz: “[…], a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo”.

Uma maneira de se entender Hebreus 11.1 é lendo Lucas 7.1-10, em que Jesus cura o servo de um centurião romano. Este centurião tinha certeza do que esperava, ou seja, de que havendo Jesus liberado a palavra de cura, seu servo seria curado. E tal era a prova disso que dispensou a visita de Jesus ao seu servo, pois tinha fé de que bastava uma palavra de Jesus.

Ora, como está escrito em Romanos 10.17, é necessário o conhecimento da palavra de Deus, e no versículo citado é possível ver que qualquer outra mensagem está excluída. Portanto, autoajuda, mensagens de conforto ou ânimo, etc., nada é capaz de produzir fé, se não se utilizar da própria palavra de Deus.

Contudo, nós seres humanos temos a tendência de duvidar de Deus, ou mesmo esperar pelas coisas erradas. Isso é tão constante em nossa natureza que vemos exemplo disso mesmo em Abraão, o pai da fé. Sim, mesmo os grandes exemplos da fé, cujos feitos foram descritos em Hebreus, ao ponto de sobre eles ser dito que o mundo não os mereceu (Hebreus 11.38a), tiveram seus momentos de fraqueza.

Abraão, por exemplo, não teve fé para deixar claro para todos que Sara era sua esposa, pois temia ser morto por causa da beleza de sua mulher. Gideão, um dos juízes de Israel, pediu uma confirmação do seu dever por três vezes. O profeta Elias, mesmo após humilhar os profetas de Baal e mata-los, fugiu para o deserto por medo das ameaças de Jezabel, e pediu que Deus o matasse. João Batista, que ouviu a voz de Deus e viu o Espírito Santo descer sobre Jesus no Seu batismo, pediu para que perguntassem se Jesus era mesmo aquele que haveria de vir, pois estava prestes a ser decapitado. O apóstolo Pedro, que chegou a ver Jesus transfigurado, além de ser testemunha ocular de muitos milagres, inclusive tendo andando sobre as águas, negou a Jesus por três vezes.

E se estes tiveram seus momentos de fraqueza, que se dirá de nós!

Todavia enxergar nossa pequenez diante desses exemplos não pode ser visto como uma desculpa para que pratiquemos a falta de fé. Pelo contrário, ao observarmos tais exemplos, que nem ainda tinham a Bíblia compilada como temos, ou mesmo dois milênios de estudos teológicos e concílios sobre pontos chaves da fé, percebemos o quão somos miseráveis e desesperadamente aquém do que poderia se esperar. Não tenho dificuldade de acreditar que, com todo o material do qual dispomos para fortalecer a nossa fé, somos hoje muito mais indesculpáveis que nossos antepassados, portanto, merecedores de maior repreensão e de sermos julgados com mais dureza.

E por causa disso, devemos dar glórias a Deus todos os dias por causa de Sua Graça e Misericórdia, por não ter nos consumido com furor, mas ainda trabalhando para a salvação de muitos.

About Evandro J.R. Silva

É Doutorando em Ciência da Computação. Convertido desde os 6 anos de idade, a partir dos 15 anos começou a ler e estudar a Bíblia autodidaticamente. É membro de uma Igreja Batista. Gosta bastante de jogos eletrônicos e de ler, principalmente sobre apologética e literatura fantástica. Tem como gosto musical preferido o metal sinfônico.

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